Volto. A máquina do Visa quebrada. Finalmente, ela aceitou o meu dinheiro. Cheguei ao albergue e ela havia me dado algo parecido com gatorade (Electrolight). Retornei e troquei pela "botilla" certa. Chego no albaregue e um táxi já me espera na porta, com Fernando, o agente de viagens e o motorista às 7:05 da manhã. Chegamos ao "terminal" do ônibus em frente a uma agência de viagens.
Nossos assentos estavam cercados de brasileiros. Manuel se apresentou como nosso guia. bilingue (espanhol e inglês) durante toda a viagem. Ele começou falando sobre nossa primeira parada em Andahuailillas, onde fica a igreja considerada a capela Sistina Andina, além de ser a primeira igreja da América Latina.
As fotos dentro da igreja eram proibidas. A igreja, em homenagem aos apóstolos Pedro e Paulo, contava em pinturas a história das mortes deles bem próximo ao altar. Neste, os espanhóis colocaram uma peça simbolizando o sol como uma forma de catequizar o povo andino que tinha como Deus o astro mais poderoso.O teto, atualmente restaurado, nos dava a impressão de um tapete com várias "dobras", como se estivesse mal esticado, mas é todo feito em madeira. A presença de árabes na região ficou registrada na presença de uma estrela de oito pontas fixada também no teto.
A entrada da igreja também possui pinturas muito bonitas representando a chegada ao céu (tarefa difícil) e a descida ao inferno , com um caminho cheio de flores. A capela tem dois órgãos alemães, um deles é o mais antigo da América. Incrível ver tanta história em um povoado tão pequeno.
Próxima atração era o Conjunto Arqueológico de Raqchi (entrada de 10 soles, já incluída no pacote). Lá está o maior santuário INca: 92m de extensão, 26 de largura e 14 de altura. Grande parte foi destruída, provavelmente, em um incêndio provocado pelos espanhóis que queriam destruir vestígios dos cultos andinos. Este templo foi construído com base de pedra sobre pedra e as paredes e colunas (única construção Inca com a presença delas) de outro material.

Próximo ao santuárioficavam as casa, construções pedra sobre pedra a prova de terremotos (paredes com 9 a 13 graus de inclinação). Do lado de fora do Conjunto, muitas bancas de artesãs com seus produtos de cerâmica a preços bem acessíveis, mais baixos que Cusco. Alguns minutos para compras e idas ao banheiro e partimos para Sicuani. Almoço no restaurante "El Felipon". Self-service com comida à vontade. Comemos bem pouco já que Fernando estava a base de doro todo o tempo e eu temia a altidude ainda a enfrentar.

La Raya, a 4.338 metros de altitude, á a divisa entre Cusco e Puno. A nossa próxima parada. O tempo muito fechado e a chuva só possibilitaram umas fotos da estrada mesmo. Os picos nevados eram bem difíceis de ver.
Já a 281 km de Cusco, paramos em Pukara e fomos ao Museu, com fotos proibidas. Estaõ guardadas várias peças utilizadas por povos que passaram por essa região. Pricipalmente o povo dominador do lugar entre 400 A.C. e 400 D.C. São cerâmicas, instrumentos para tecer e pescar, além de esculturas com menção a animais e rituais de sacrifício humano.
Manuel nos explicou tembém a tradição mantida até hoje. Quando as pessoas constroem as suas casas colocam no teto dois touros de cerâmica para trazer prosperidade, sorte e saúde. São dois pois representam o homem e a mulher. Na saída, chuva. Corremos até a igreja próxima, mais rústica e enorme. Por fora era mais bonita, compondo o cenário com a montanha atrás.

Cheguei no ônibus e descobri que Fernando havia comprado os dois touros para a nossa casa enquanto tirava fotos da igreja. Já na estrada, depois de nossa última parada, o guia nos mostra as plataformas, encobertas pelos espanhóis na época, o local fornecedor de peças para o museu a 300 metros dali.
A viagem foi muito agradável. Nada de serras sinuosas para me fazer passar mal. Antes de chegar ao destino, passamos por Juliaca. Apesar do slogan do governo de que a cidade "será limpa, moderna e segura", vimos pela janela d ônibus uma completa desordem. Trânsito caótico, ruas sem alçamento e casas mal acabadas.

Como a principal atividade econômica é o contrabando, trazendo produtos clandestinamente da Bolívia, a contribuição de impostos para o governo é muito baixa, impedindo a mínima infra-estrutura para o povo. O principal meio de transporte da população de 250 mil habitantes é o triciclo, com homens pedalando a todo momento. São 20 mil em toda a cidade plana.
Quarenta e cinco minutos depois chegamos a Puno. Mas de 300 mil habitantes a 3827 metros de altitude. Já fico com medo por causa da altura. A primeira impressão foi estranha. Ao mesmo tempo que chegávamos à cidade com uma bela vista do Lago Titicaca, Puno lembrava muito Juliaca. E não é para menos, O contrabando também é o forte do lugar, perdendo apenas para o turismo. Ruas mal cuidadas, triciclos motorizados e de tração humana.

No terminal do ônibus, uma moça nos aguardava com uma placa "Hernando Torres" (risos). Fomos de táxi até o Hostal Margarita, já contratado desde Cusco, no mesmo pacote do ônibus. O frio era enorme e Fernando ainda não estava tão bem. Resolvemos descansar e pensar no que fazer amanhã.
Só a água quente no banheiro assim que abrimos o registro foi sensacional. Cobertas bem pesadas, DirecTV. O sono veio fácil depois de 10 horas de viagem.
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