quinta-feira, janeiro 21

Aguas Calientes


Ainda em Machu Picchu Pueblo precisávamos planejar o dia. Não foi possível. A preguiça tomou conta e dormimos boa parte da manhã debaixo do cobertor muito pensado e cansativo. Resolvemos descer para o restaurante e colocar alguma coisa no estômago.

Eu, ainda com medo de comer, pedi uma "crema de zanhoria" (creme de cenoura) enquanto Fernando ficou com a salada mista e arroz. O nosso prato básico (arroz com feijão), considerado por eles como prato vegetariano, custava 30 soles (uns 25 reais). Muito caro e parecia ser nada parecido com o feijão brasileiro.

Fomos caminhar um pouco, visitar a feira de artesanato logo em frente à estação da Peru Rail. Foram os artesanatos mais caros até então. Mesmo assim, compramos umas pequenas coisas (chaveiro, broche, lembranças para a família). Voltamos para o hotel rapidamente pois Fernando ainda não havia se recuperado. O almoço parace ter caído bem mal.

Nos avisaram que havia reserva para o quarto naquele dia. A mochila ficou no restaurante. Melhor assim. Deixamos no balcão, pagamos uma diária a menos. Uma economia já que pagávamos em Cusco para deixar a mala maior e dormir na noite de hoje com passagem marcada para voltar 21:30.

Decidimos ir às piscinas de águas quentes no fim da rua principal. Alugamos toalhas. A nossa, molhada, ficou com mau cheiro. No frio que pegamos todos esses dias, nada fica seco. Compramos uns chinelos horrorosos também. Entendo porque as havaianas vendem tanto (risos). Dez soles a entrada e um sole o armário com cadeado para guardar as coisas.


Por sorte, mais brasileiros estavam por lá e o Fernando não era o único de sunga. Biquinis são mais comuns. As piscinas estavam cheias. Achei um pouco estranho pois não sei onde esquentam a água das seis piscinas, abastecidas, sem dúvida pelo Aguas Calientes, o rio que corre ao lado que de quente não tem nada.


A primeira piscina tinha água do rio apenas. Muito, muito gelada e cor de cobre. Provavelmente por causa do enxofre que sentíamos o tempo todo. Tomei banho mas é bem desagradável. Parece que a água não é trocada frequentemente. De qualquer forma, as águas quentes nos relaxavam. Nos trocamos para voltar à cidade.

Ainda eram 18:30. Teríamos que esperar muito na estação para pegar otrem a Cusco. Pegamos a mochila no restaurante e resolvemos jantar. Mas foi no Restaurante e Pizzaria Apus. Dividimos um prato de frango com purê (o melhor que já comi na vida!) e arroz. Bem leve e sem comer muito para a altitude não nos pegar de jeito. Para beber, suco de maçã (jugo de manzana). Muito doce e gostoso apesar de sem gelo. Comemos com calma e fomos aguardar na estação.

Descobrimos, dentro do trem, que estávamos em poltronas separadas. Tudo bem, já que a volta seria apenas até Ollantaytambo, metade do caminho, duas horas de viagem. Fernando fez amizade com gêmeos gaúchos que já não me recordo os nomes e combinou dividir com eles uma condução até Cusco.

A viagem backpacker foi como tinha que ser: desconfortável. Mas se eu soubesse o que estava por vir não classificaria dessa forma. Muitas vans e táxis esperam pelos passageiros na estação. Pechinchamos, junto aos gaúchos, o preço do transporte. Conseguimos por 10 soles, metade do preço que estavam cobrando. Em compensação fomos muito apertados. Todos foram em seus lugares respectivos mas, na coluna do meio, meu lugar e doFernando estávamos, fomos em 4 onde só cabiam 3. Foi uma hora e meia com a bunda torta, um lado em cima outro embaixo, e dormente, sem posição para esticar as pernas e deixar braços confortáveis.



Demorou uma eternidade. Nunca foi tão bom andar pelo centro de Cusco, mesmo que deserto. Direto para o albergue, em uma noite bem fria e chuvosa, tomei banho e fui dormir. Amanhã preciso estar de pé bem cedo. Seguiremos de ônibus para Puno.

Obs.: Além do aperto na van, Roberto Carlos cantava em espanhol no rádio!

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