sexta-feira, janeiro 15

Bienvenidos ao Peru



O dia começou de véspera. Lavando roupa, preparando a mala. Tanto medo de esquecer alguma coisa me fez dormir pouco. Saímos às 4h, depois de uma tempestade na madrugada. Cidade alagada. Quase não conseguimos táxi, mas ele apareceu. E o pneu furou. Um caos. Depois de uma carona, o check-in e um lanchinho tranquilo. Li Veríssimo (o Luis Fernando) e embarquei (www.taca.com). Não demorou nada e já estávamos voando. Embarque em cima da hora. Fone de ouvido para a rádio-avião. E para o filme também: "The Rockers". Pipoca e todo em inglês. Uhuuuu! Consegui assistir. Perdi uma fala ou outra mas nada que comprometesse.

As músicas do rádio nao agradam. Cheguei a ouvir "Thriller" em um dos canais mas o restante só música-sonífero ou em espanhol. Na maioria dos canais, músicas que nunca ouvi. Hora do lanche: panquecas ou omelete. Preferi as panquecas doces e enjoativas. Pão, manteiga, frutinhas e biscoito maçã com canela. A bebida, um drama. Falar espanhol não é comigo mesmo. Durazno ou Naranja (risos). Perdi a vergonha e pedi enquanto Fernando, dormindo, não podia me salvar.

Eu, na poltrona do meio, sou bloqueada por um desconhecido para ir ao banheiro. E o pior: ele dorme a maior parte do tempo. Ah! Esqueci de um detalhe. Vodka, wisky, run e vinho para todos. Fiquei só no suco mesmo. Fernando dormindo, a câmera sem pilha, pequena turbulência, muita vontade de ir ao banheiro. Aproveitei o despertar do "enólogo" e fui. Um mini peruano irritante não parava de chorar. E as aeromoças transitam várias vezes pelos corredores tumultuando-os. Nada me interessa mais a não ser chegar em terra.

Leio Veríssimo em "O Mundo é Bárbaro" e suas teorias engraçadas para passar o tempo. Depois de 5 horas de voo (meio dia no Rio e 8:58 em Lima), o piloto avisa a aterrisagem em 5 minutos. "Fasten your seat belts". Ainda com sono, neve lá fora nos picos. O avião sempre treme quando sobrevoa cordilheiras. É. Estou longe de casa. Ouvir português só com os brasileiros-funkeiros-surfistas do voo.

Depois de papéis devidamente preenchidos, pegamos um táxi daqueles que, já de cara, sei que será caro. Um carro chique com banco de couro. Entro nele já com minha aquisição do free shop: meu primeiro Ray Ban. Saímos do aeroporto e o caos se instala. Sinais de trânsito existem e os pisca alertas também mas os motoristas parecem, ou quase, se entenderem sem precisar usá-los. Carros na contra-mão, ultrapassagens pela direita. Vale tudo. O trânsito se mostra pior do que o da Índia que vemos pela TV, mesmo com todas as sinalizações.



Já é costume buzinar a todo o momento mesmo que o trânsito não esteja tão travado. Até para falar ao celular na rua há certa dificuldade. Da buzina mais grave a mais aguda, criando uma orquestra metropolitana. Em conversa rápida com o motorista, enquanto ele xinga seus iguais, aderimos à sugestão do hotel no centro. Relativamente barato e próximo à Plaza Mayor. É tempo de esticar a coluna e pensar na primeira atração do dia.

Uma caminhada rápida e já estávamos na praça mais importante de Lima, a Plaza Mayor, onde fica o Palácio do Governo (lugar em que o presidente Alan Garcia trabalha e mora), além da belíssima Catedral de Lima, com um museu sacro. Lá tem peças utilizadas por João Paulo II em missa celebrada na cidade, obras de arte do século XVI, sem contar a belíssima catedral, reconstruída por duas vezes por causa de terremotos do passado.


A proximidade a linha do Equador começa a pesar. Uma pressão na cabeça me leva a pensar que o óculos é culpado. Resolvemos almoçar. Pollo Especial para mim, cabrito para ele. De entrada, umas batatas com molho estranho e nome mais ainda. Pisco veio de graça acompanhado de uns grãos estranhos que Fernando disse ser da família da pipoca. Pode até ser parente próximo mas o gosto não aparenta que são irmãos. Depois de uma tentativa frustrada de pedir "una cerveza negra", confundi tudo o que o garçon disse e ele trouxa uma bebida de gosto familiar. Até agora me pergunto o que era aquilo.



Conhecemos a rua comercial e de pedestres. Muitas aquisições de chaveiros depois, pagamos 16 soles para passear no Mira Bus. Um tour por todo Centro Histórico com a explicação de cada atração por uma guia local. Tudo em espanhol. No ônibus, segundo andar ao ar livre, entendi boa parte. Muita coisa se perdeu devido às buzinas irritantes. Comecei a "bater cabeça". Muitas horas sem dormir, somando o fuso horário de quatro horas ganhas. Precisava de um Red Bull. Não consegui um antes de conhecer o Cerro San Cristóbal (5 soles por pessoa para subir de ônibus).



Uma pena não conseguir reproduzir a vista de Lima nas fotos. Meu casaquinho de llhama serviu para aparar o frio cortante do morro. Corremos para fazer todas as fotos possíveis em 15 minutos. Guia excelente nos acompanhou falando sobre detalhes da cidade e respondendo a perguntas. Uma delas nos permitiu descobrir que as letras pintadas em vários pontos do morro eram a sigla do partido presidencial. Imagina se a moda pega?

Fomos comer no Bembos, um fast food que nunca vi. Um hamburguer enorme e muito gostoso. O meu tinha um ovo temperado. O do Fernando, mexicano, tinha guacamole mas nem dava para sentir o abacate. Tudo muito picante mas igualmente gostoso. Do lado de fora, me chamou a atenção uma moça com um colete amarelo e muito dinheiro. Ela fazia câmbio, ali mesmo na esquina. Bizarro. E o preço era verdadeiro, de mercado.



Fomos, finalmente, para o hotel. Mas, novamente, apenas uma pausa. Depois do banho tive uma experiência incrível. Fomos ao "Circuito Mágico del Agua" (o ingresso custa 4 soles por pessoa). Vários chafarizes em um balé incrível chamando o público a interagir. Lindo e muito, muito divertido. Depois dessa maratona do dia mais longo da minha vida, volto para o hotel.

Assisto a Homem Aranha falando em espanhol na FOX. Vou dormir pensando nas novidades de amanhã e precisando descansar. Não posso esquecer da coincidência do dia. O táxi que nos levou ao Circuito das Águas também furou o pneu. Fernando ajudou a "cambiar". Inacreditável. E o táxi era um dos menores e mais velhos com pneu e step mais carecas de toda a cidade.


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