segunda-feira, janeiro 18

El soroche

Primeira coisa que vi, já com o dia claro, uma estrada sinuosa com um rio ao lado. Uma paisagem lindíssima, mal registrada pelo vidro do ônibus. Ainda estávamos subindo. Parecia que íamos chegar ao céu, com uma criança aos berros, um celular que não deixava o passageiro descansar e dois estrangeiros irritantes que insistiam em bater em nossos bancos.
O café da manhã veio junto com o enjôo. Bolinho de chocolate com passas, pão com queijo e presunto, um horrível iogurte (era muito ruim mesmo porque sou fã de iogurte). Ainda faltavam quatro horas de viagem, a subida não terminava e o enjôo muito mesnos. Já não via a hora de chegar.


A última hora de viagem foi de descida mas não menos lenta por causa das curvas. Em frente a rodoviária de Cusco, um idiota deixou o carro impedindo a passagem do ônibus. Houve uma comoção de pessoas em volta que entraram pela mala do carro e o tiraram da frente. Incrível é que o dono nem fará ideia do que aconteceu. O ônibus entrou e colocaram o carro de volta.

Comecei a perceber uma dor de cabeça muito forte. Imaginei ser apenas da noite mal dormida e das curvas das 21 horas de viagem (12 só subindo). Um cara, ainda na rodoviária, nos indicou um hotel com um preço bom. Pegamos um táxi. Queria só tomar um banho para tirar o sal do mar de ontem.

A recepcionista avisou que era preciso ficar cinco minutos com o chuveiro aberto para que a água esquentasse. Achei que o máximo que a água esquentava era do morno para o frio. Me enganei. Mesmo assim, só Fernando tomou banho quente depois de uns 20 minutos de chuveiro aberto. Fui apressada e me ferrei.


Fomos conhecer a cidade. Não tive tantas primeiras impressões. A dor de cabeça e o cançaso eram muito fortes. Mesmo depois do chá de coca no hotel. Compramos tudo de coca: bala e cerveja (esta, horrível por sinal. Amarga demais). E a dor não passava. Mesmo assim, compramos nossa passagem de trem para Machu Picchu na quarta (20/01) e passeamos pelas dezenas de lojas e mercados de produtos artesanais. São muitos mas tem que saber pechinchar. Fernando aprendeu.


Fomos almoçar. Frango com champignon para mim e uma carne com batatas fritas para ele. Tudo muito gostoso. O dia foi de andar pela cidade, tirar fotos dos prédios históricos, aqueles que os espanhóis aproveitaram as bases de pedras incas para fazer por cima suas igrejas e casas coloniais.



E a pressão na cabeça não passava. Fomos às compras. Muitas cores nos seduzindo. Comprei uma flauta. Acho que agora tenho uma coleção mesmo sem saber tocar (risos). O dia estava terminando quando resolvemos jantar em uma pizzaria. Pizza família com carne de Alpaca, uma parente próxima da lhama. Muito queijo e a carne com um gosto forte, marcante. Comi demais e Fernando ainda pediu uma panqueca de banana com mel.

Hora de ir para o hotel descansar. Mas, para mim, a noite estava apenas começando. Me senti muito mal, com o estômago embrulhado e muito enjôo. Pensei logo nos efeitos da altitude, "el soroche", mas descobri logo depois que a comida havia me feito muito mal. Não sei qual foi ou se a mistura delas somada a altitude, mas a pizza foi toda embora pelo mesmo lugar que entrou. Depois desse momento desagradável, fiquei mais aliviada e consegui dormir.

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