
Os domindores achavam que o lugar era uma fortaleza para proteger o Império Inca. Para o povo era um lugar sagrado, onde se adorava o sol e a natureza. Um templo para cultuar seus deuses, fazendo oferendas, sacrificando animais.
As pedras em zigue zague representavam os raios que anunciavam o início e o fim da época de chuvas. As construções foram todas feitas com pedras sobre pedras, sem nenhum tipo de artifício para uní-las. Elas eram polidas com água e areia e cortadas perfeitamente em um molde de bambus ou madeira para que se encaixassem às pedras já organizadas.
Eram necessários 150 a 200 homens para carregar essas pedras. A mais pesada tem 33 toneladas e 500 homens trabalharam em seu transporte. Os muros originais, sempre contruídos com 9 a 13 graus de inclinação para suportar desastres naturais, tinham até 12 metros de altura em cada nível. Muitas casas atuais se inspiraram nas construções incas à prova de terremotos. Os muros de Saqsaywaman resistiram aos tremores (sismos, como são chamados aqui) de 1960 e 2007. Este último destruiu boa parte da cidade. Hoje o templo tem apenas 30% de seus muros intactos por causa do ataque dos espanhóis às construções sagradas.Neste sítio arqueológico está o ponto mais alto de Cusco (3500 metros de altitude). Difícil subir lá, ainda mais sem muita coisa no estômago. Mesmo assim, uma vista linda. Trezentos mil habitantes. No tempo Inca, existiam apenas uma praça em Cusco. Com a chegada dos espanhóis, ela foi dividida em três: Plaza de Armas, Regocijo e Plaza San Francisco. As principais avenidas de Cusco (Del Sol e Tullumayo) formam o corpo de um puma até chegar à cabeça, formada por Saqsaywaman.

Havia muitos sacrifícios de animais no santuário, em particular as lhamas pretas, cor sagrada para os Incas. Descobri a diferença entre uma lhama e uma alpaca. O guia nos explicou que as lhamas tem focinho e pescoço maiores, além de serem mais altas. As alpacasa tem mais pelos na cabeça e as orelhas são mais curtas. Fernando não resistiu e tirou uma foto com a lhama e as mulheres locais. Tudo sempre recompensado.

Subimos até o Cristo, uma estátua branca doada por árabes e palestinos. Descemos a pé até a Plaza de Armas. Compramos luvas no meio do caminho. As pedras eram escorregadias mas o percurso muito bonito com um córrego ao lado nos acompanhando. Precisava ir para o hotel. A dor de barriga começou a apertar.

Antes fomos de táxi a Peru Rail (estação de trem para Machu Picchu e Puno). Estava fechada. Em frente, na agência de viagens All Ways Travel Peru, fechamos um pacote para ir até Puno de ônibus. Muito mais vantajoso, já que faríamos paradas em vários pontos turísticos levando o mesmo tempo que o trem. Além do preço. Passagem, hospedagem e almoço para os dois ($150) saiu mais barato do que um ticket ($220) para o trem.
Demos uma volta no estádio de Cusco, aquele onde os times brasileiros sofrem para jogar. E devem sofrer mesmo. Jogar nessa altitude, faltando ar e com uma pressão na cabeça absurda não deve ser mesmo fácil.

Fomos para o hotel e de lá para a Plaza San Francisco, onde Fernando comeu uma salada mais cedo e adorou o cardápio variado. Pedimos sopas. Um trauma por causa da farra gastronômica de ontem. Eu já não iria aguentar nada mesmo além do "Crema de Pollo" (Creme de frango). Fernando, mais ousado (risos), pediu uma sopa inca, com vegetais e queijo. Como esperado, não consegui comer tudo. Fernando se fartou. Comeu a dele, o resto da minha e ainda pediu uma panqueca de quichua. Ainda me pergunto de quê era a panqueca.

No hotel, tomei banho, desta vez, quente. O chuveiro demora muito para esquentar a água. Dormimos cedo porque o trem para Machu Picchu iria partir às 7:12 da manhã.
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